Alexandre Fonseca, simplesmente Kabelo: essa fagulha emersa da pureza a incandescer a irreverência. Qual criança que vibra com brinquedos barulhentos e consegue transformar seus barulhos em sons da alma, espontânea e destemida.
Kabelo é assim, não teme a crueza de seu estilo. Tocando baixo e cantando com energia roqueira, faz saltar do instrumento e de sua voz arranhada um autêntico caleidoscópio, no qual a desvairada geometria dos sons entremeia o rock, o rap, o soul, o funk, o coco e a embolada numa sucessão de sonoridades que giram entre o real e o imaginário através de acordes libertários, palavras escrachadas, revelando a safadeza e a perspicácia de um moleque excitado, incontido e, por isso, capaz de tornar suave a aspereza de sua naturalidade.